José Ingenieros – Parte 2: As Forças Morais.

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AS FORÇAS MORAIS

A obra “forças morais” é uma recompilação de artigos escritos por Ingenieros entre 1918 e 1923, em um periódico, foi publicada pela primeira vez, como um livro, em 1925.

Os livros, “O homem medíocre”, “Para uma moral sem dogmas” e “As forças morais”, constituem uma trilogia sobre a ética e a moral humana, nesta última, através de 12 capítulos, Ingenieros busca fundamentar uma espécie de “guia” para os idealistas, tendo como propósito fundamental forjar a necessidade do impulso de ação nas novas gerações para a realização de uma transformação na sociedade.

 

Pontos Fundamentais.

Sobre a juventude:

A juventude é a qualidade do protagonista social, este tem a missão de renovar o mundo.

É uma honra servir a um Ideal em momentos de declínio civilizatório, para os homens que não têm essa juventude só existe o passado e o presente, perseguem apenas satisfações imediatas:

“É missão da juventude tomar as mãos dos cegos e guiá-los para o porvir. Arrastá-los se duvidarem; abandoná-los se resistirem. Tudo é possível, menos convencê-los; a certa altura da vida, a cegueira é um mal irreparável. Os jovens perdem o tempo esperando impulso dos velhos, é mais sensato agir sem eles”.

 

Sobre o entusiasmo:

O entusiasmo é a chama da juventude, não existe maior honra do que conservá-lo na idade avançada, como fez Sócrates. A palavra entusiasmo significa “estar com Deus” e é esse o sentimento que deve ter aquele que busca nas forças morais a realização humana.

 

Sobre a vontade:

A nossa preguiça se combate com vontade, a vida se apaga na mesma medida que diminui a nossa vontade. A preguiça e a inércia desencadeiam a miséria moral. A desculpa para o preguiçoso é sempre deixar para amanhã, para o Idealista a vontade se expressa no agora ou nunca.

Sobre a solidariedade:

A justiça desencadeia solidariedade, onde não existe justiça, não pode haver solidariedade. A violência é criada pelo desequilíbrio social, sendo efeito de causas que só podem ser reparadas através do equilíbrio que as criam.

Sobre a rebeldia:

Para Ingenieros, a rebeldia é uma forma de inquietação diante de uma sociedade passiva e esta inquietação é o que move o rebelde para a busca do progresso. Sócrates foi rebelde diante da sociedade de Atenas, Giordano Bruno também foi rebelde diante da Inquisição.

 

Sobre o dever:

As forças morais desencadeiam o dever. É dever do Homem ser reflexo dos seus Ideais na sua conduta, não existe separação entre pensar e fazer. É uma desonra viver uma realidade mental.

Sobre a bondade:

Só existe a bondade com o esforço para a virtude. As naturezas humanas mais fracas agem mal por não contrariarem a maldade dos outros, a bondade deve ser sempre ativa e para isso requer esforço. Combater a injustiça é a maneira mais eficaz de se capacitar um homem para o bem.

 

Sobre a verdade:

O amor à verdade destaca-se entre as forças morais. É a virtude de todo filósofo e superior a qualquer religião, como diz um antigo aforismo clássico: “Não há nada superior à verdade”.

Sobre o mestre:

Para ser professor é necessário vocação, não há nada pior que aquele que é movido apenas por fins lucrativos, nem pior pedagogia que a praticada sem amor. O professor deveria ser reconhecido como o que obtêm o cargo de maior responsabilidade na vida social. Deverá além de ensinar com a teoria, ensinar com a prática, com o exemplo.

 

Citações:

“A humanidade deve mais aos exemplos mudos dos santos do que aos belos argumentos dos sofistas”.

“Se a bondade não estiver na conduta, sobrará nas opiniões”.

“O maior dos bens consiste em não depender dos outros e em seguir o destino elaborado com as próprias mãos”.

“Livres são os que sabem querer e executam o que querem”.

“A velhice só é respeitável pela quantidade de juventude que a precedeu”.

“Aquele que aceita a tarefa de ensinar e não desempenha eficazmente, causa um dano irreparável para a sociedade que lhe confiou seu futuro”.

“Ensinar uma ciência não é transmitir um catálogo de formas definitivas, mas desenvolver a aptidão para aperfeiçoá-las”.

Texto de Wilson Santos (Chefe Nacional adjunto)

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