José Ingenieros – Parte I: O Homem Medíocre.

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Quem foi José Ingenieros?

De nacionalidade argentina, José Ingenieros foi médico, sociólogo, professor, escritor, farmacêutico, psiquiatra, psicólogo e filósofo. Seus livros deram rumo no entendimento da história da Argentina como nação.

Ingressou na faculdade de medicina de Buenos Aires em 1897, tornando-se farmacêutico e em 1900 médico. Entre 1902 e 1913 dirigiu o instituto de criminologia na penitenciária de Buenos Aires, destacando-se por estudos inovadores na criminologia e psiquiatria, conseguindo alternar seu trabalho com conferencias em universidades Europeias.

Suas principais obras tiveram grande impacto junto a juventude latino-americana e ajudam a impulsionar a Reforma Universitária Argentina de 1918.

A Reforma Universitária é o nome que recebe o movimento político e cultural que se iniciou em 1918 na Universidade Nacional de Córdoba e se estendeu por toda a América Latina.

Conquistas da Reforma Universitária:

  • Principio de autonomia universitária; sendo autônoma e autogovernada sem influencias do poder político e organizando seus próprios estatutos e programas de estudo.
  • Autarquia financeira; decisão da universidade sobre o capital empregado.
  • Extensão universitária; estender a presença da universidade na sociedade e relacioná-la intimamente com o povo.
  • Liberdade de cátedra; cátedra paralela e cátedra livre.
  • Gratuidade e acesso massivo.

O HOMEM MEDÍOCRE

“O Homem Medíocre” é a obra mais famosa de José Ingenieros, nela o autor tem o objetivo de esclarecer o processo evolutivo das sociedades impulsionadas pelo homem idealista.

Para Ingenieros os homens têm três estirpes: ou é Idealista, ou medíocre, ou Imbecil; este ocupa um extremo do mundo e o idealista ocupa o outro; o medíocre está no centro.

Mediano ou medíocre não significa normalidade, podendo até ser definido como ausência de características que o permitem se distinguir na sociedade; produto do meio em que vivem, das circunstâncias, da educação que lhes é ministrada, das pessoas que os tutelam, das coisas que os rodeiam. Indiferentes às injustiças do mundo, apenas reclamam quando esta lhe afeta. A sociedade pensa e quer por eles. Não tem voz, senão eco.

José Ingenieros dedica esta obra ao medíocre, pois estes não são citados por estudiosos, a história ignora seus nomes, mas sua existência é, sem embargo, natural e necessária.

 

Pontos Fundamentais de o Homem Medíocre:

Sobre o Ideal e os Idealistas.

Para Ingenieros o Ideal é o que impulsiona o homem a buscar o seu destino de perfeição em todos os aspectos realizados, o Ideal é o que dá vida ao homem e o caracteriza como um cidadão (protagonista). O Idealista é aquele que, fugindo da mediocridade, vive em função do perfeito que consegue contemplar e na certeza de que pode concretizá-lo. Mas quando a rotina, o comodismo ou a dúvida tomam sua vida, o idealismo morre, quando esse impulso se apaga, não se acende jamais.

O Ideal promove a evolução, a mediocridade promove a estagnação. Nem todos as pessoas têm a capacidade de viver o Ideal, como diz Ingenieros:

“os idealistas são de outra estirpe, diferente da média, diferente das massas. Suas concepções são diferentes, sua vida é diferente, é um anormal aos olhos do medíocre.”

O Ideal é a expressão do espírito no homem, é a Boa Vontade de Kant, é a eudamonia de Aristóteles, é Deus agindo no homem. O Idealismo é natural e inerente ao homem, surgi quando este alcança um desenvolvimento da imaginação em maior grau que permite generalizar os dados da experiência, antecipando seus possíveis resultados e abstraindo dela idéias de perfeição. Os verdadeiros ideais têm o mesmo objetivo: a Evolução Humana. É o movimento em direção a evolução.

Sem idealistas o mundo está fadado a estagnação, pois, é vivendo em função de um Ideal que se supera o presente em direção ao futuro. Os idealistas catalisam um processo social que, sem eles, demoraria uma centena de anos, são as enzimas sociais que catalisam a evolução. Para os idealistas é inconcebível uma vida de inércia, uma vida de passividade diante de injustiças, a felicidade consiste em ser aquilo que se é, que está na sua natureza, não se assemelhando nunca a mediocridade, é ser jovem de alma, é ser saudável espiritualmente; o que está enfermo tende a inércia.

Sobre os Medíocres.

Nem sempre a sociedade está preparado para contemplar e materializar um Ideal, a maioria das vezes não está e busca dificultar sua plasmação, isto é natural. O medíocre tem medo do novo, é incapaz de conceber Ideais, sua obtusa imaginação não concebe perfeições nem passadas nem futuras, seus sonhos atuais são pensados por seus amos, sua existência vegetativa não tem biografia.

A vida vale pelo uso que fazemos dela, pelas obras que realizamos, não viveu mais aquele que conta com mais anos; mas sim, aquele que sentiu melhor um Ideal.

Todos morrem, poucos vivem. Os medíocres são inúmeros e vegetam moldados pelas circunstâncias, como o barro fundido no cunho social, sua existência é nula como unidade social. Nenhum deles percebe que a manipulação o formata a um denominador comum: a mediocridade.

Para Ingenieros o homem medíocre é um domesticado que confunde o equilíbrio com a passividade, julga a honestidade a maior das virtudes, sua principal característica é imitar os que o rodeiam, são felizes quando se agrupam aos milhares.

Mas por outro lado, a genialidade necessita de um contrapeso para prevenir seus excessos, se no mundo só houvesse Idealistas, não se poderia caminhar, quem viveria os Ideais contemplados há anos atrás? Como diz Ingenieros, “Sem os Idealistas quem empurraria o carro da vida sobre o qual vão os medíocres tão satisfeitos? Invés de se combater, ambas as partes deveriam entender que não teriam motivo de existir sem a outra. Eis aqui uma nova base para a tolerância: todo homem necessita de seu inimigo”.

A vida em sociedade seria impossível sem essa numeralidade de medíocres que formam a argamassa social. Se os Idealistas têm a mente na perfeição futura, os medíocres têm a mente na imperfeição presente. Sua função social é conservar e transmitir as variações de utilidade para a continuidade da vida social. Vivem de uma forma que não é viver. Nascem, crescem e morrem como as plantas.

As mediocracias.

Incertos períodos históricos de declínio civilizatório, os medíocres se apoderam dos veículos governamentais, transformando a sociedade em uma grande mediocracia.

“Quando o ignorante se crê igual ao estudioso, o mentiroso ao digno, o fanfarrão ao apostolo, a escala de mérito desaparece e se nivela todos os homens horizontalmente”.

Os que não conhecem de nada fazem questão de dar a sua opinião, pois se acredita que cada um tem a sua verdade.

Nesse período o objetivo da vida humana passa a ser o acúmulo de bens materiais, é o estranho prazer de não fazer nada. As coisas superiores, do espírito, são no mínimo ignoradas. Torna-se um tabu falar da alma humana.

Classificam-se os políticos como zeros, a mediocracia é a soma de infinitos zeros. Soma-se um milhão de zeros e não valem 1 governante genial.

Quando a política se degrada, interessa-se por ela aqueles que querem tirar proveito da situação. A mediocracia é a vida burguesa em seu “apogeu”.

 

Citações:

“A característica do tosco é acreditar que está apto para tudo, como se a boa intenção salvasse a incompetência”.

“Sem Ideais seria inconcebível o progresso”.

“A educação consiste em sugerir os Ideais que se presumem propícios à perfeição”.

“Não se nasce jovem: a juventude é algo que se conquista. E sem um Ideal, a conquista da juventude é impossível.”

“Todo Idealismo é exagerado, necessita sê-lo”.

“Colocar o Ideal naquilo que depende de nós e sermos indiferentes ao resto: ai está uma fórmula para o Idealismo experimental”.

“Quando os povos se domesticam e se calam, os grandes forjadores de Ideais levantam as suas vozes”.

“Toda luta por um Ideal é santa”.

“Na vida se é ator ou público, timoneiro ou galeote”.

“A incapacidade do mal não é bondade, a honestidade não é uma virtude”.

“A inveja é de corações pequenos, é uma defesa das sombras contra os homens”.

“O Espartano Antístenes, ao saber que o invejavam, constatou com acerto: pior para eles, pois terão que sofrer o duplo tormento de seus males e de meus bens”.

“Não há maneira mais baixa de amar a pátria do que odiando as pátrias de outros homens, como se todas não fossem igualmente dignas de engendrar em seus filhos iguais sentimentos”.

“A grande inconsciência dos “políticos” é governar povos quando a enfermidade ou a velhice tiram do homem o governo sobre si mesmo”.

Que a Aliança Nacional seja uma inspiração à todos os idealistas do Brasil e do mundo!

 

Texto de Wilson Santos (Chefe Nacional adjunto).

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